Diário de bordo. Vale do Capão - 09.03.21 - 21:35 | Tradução

a mãe do seu filho foi embora escondido. A japonesa, pegou no google tradutor algumas palavras que não sabe no português e descolou uma carona com elas para longe. Ele chegou em casa de banho tomado, expressão sem nome e uma sacola na mão. E o olhando eu via toda a situação sem saber quem estava mais perdido. Se era a japonesa que não sabe português e engravidou de um morador do interior da Bahia em uma viagem turística pelo Brasil ou se era ele, o pai que agora não sabia por onde andava a sua criança ainda nem nascida. E agora escrevendo, me pergunto se também não entro eu nesse ranking, porque o que aconteceu logo depois de você deixar a sacola na mesa e sentar no chão para me contar tudo o que estava acontecendo eu não tenho vontade de organizar em sequência na memória para colocar aqui. Eu vou direto à lembrança de te ver levantando para ir embora sem se despedir ou me deixar terminar de falar logo depois de eu te dizer que precisava de uns dias para pensar, porque tudo isso é muito. E eu nem tive vontade de te pedir para ficar, como fiz das outras vezes, porque quem ocupava agora esse seu lugar era o meu silêncio. Eu querendo ficar só.

Eu não sou boa de matemática mas no final das contas talvez ele fosse o mais perdido de nós três. Esse resultado me veio por causa da caixinha de leite condensado. Ele a trouxe na sacola e a encontrei em cima da mesa depois que ele saiu pelo portal do quintal. Sim, no meio de toda a confusão de ver seu filho indo embora e vir em casa para desabafar ele parou no mercado para comprar um leite condensado, uma lata de nescau e um pacotinho de amora batida, achando que era açaí. Toda essa história parece um absurdo inventado, da cabeça de alguém que não sabendo lidar com a realidade foi criando verdades fantásticas. Foi assim que me senti ontem quando finalmente ele me deixou claro que a Japa é uma mulher de cultura mais tradicional do que mente aberta. E isso justificou todas as atitudes que ela teve nos últimos tempos ao descobrir sobre a nossa relação. Ela tinha esperanças de formar uma família com ele. Ele, com ela, não. Mas comigo sim. E eu não. Nem com ele, com o filho dele, com ela ou qualquer outro alguém. Sou só uma mulher que veio parar nessa cidade de menos de 2000 habitantes procurando paz de espírito e um novo sentido para a minha vida. Mas me envolvendo, veja só, vim parar aqui. Comendo um brigadeiro com o leite condensado que ele trouxe, depois de ver que a mãe do seu filho podia ter ido para o Japão, e escrevendo sobre esse último episódio da nossa novela, para ver se colocando palavras eu traduza o lugar aonde vim parar, numa língua que eu mesma possa compreender.

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