todos os dias vão ter saudades. | Diário de bordo - Vale do Capão/BA - 15.03.21 - 20:42

Atualizado: Mar 16

todos os dias vão ter saudades. Até o efeito de pés fora do chão, de quem acabou de usar um dos três desejos para o gênio da lâmpada pedindo um amor, passar. Porque a gente cria aquela sala gostosa, de luz amarela e quente, com lenços no chão e tintas e folhas rasgadas de caderno esparramadas entre pernas, sentimentos indefinidos e vontade. Antes do segundo desejo, a gente monta um amor com tanta fantasia como quem decora a própria casa. E porque antes do segundo desejo? Deixa eu te explicar antes uma coisa sobre chutar em prova.

Na escola eu nunca fui boa em chute, seja ele no futebol da aula de educação física ou em exame final mesmo. E eu via vários amigos, daqueles do fundo da sala, sabe? aparentemente sem estudar nada o trimestre todo e fazendo um 7x1 sobre a minha crença de que eu precisava me esforçar mais. Acontece que um dia uma amiga me contou de uma teoria sobre intuição "é igual colar em prova, quando a primeira ideia de resposta te vem você pula nesse tapete e vai com ela". É cientifico, ela dizia. Apesar do tapete ser mágico. A explicação diz que a primeira opção que aparece na cabeça para uma pergunta, pra qualquer coisa, é a mais limpa de ideias e crenças. Como se seu inconsciente, que estudou e lá no fundinho vai armazenando tudo o que vê, te soprasse bem baixo e sutil no ouvido o que você já sabe. Mas aí, se tu vê o tapete e surpreso com ele não sobe mas para pra reparar na cor que ele tem, os desenhos, como ele chegou até ali e até na nuvem que tá lá por trás e que formato ela tá tomando... Aí tu abriu campo demais. No meio de tanta informação some tapete e precisando sair dali tu vai com a nuvem mesmo. Afinal, é mais lógico esse conjunto de partículas de água em suspensão transportar alguma coisa do que uma tapeçaria voadora, não é? Você ainda pensa. Mas a gente tá falando de intuição. Se fosse pra seguir lógica tu estudava, menina. Ia para a prova confiante sabendo das fórmulas e inteirada nas fofocas que contam nas aulas de humanas e te dizem que é história. É sobre reparar no primeiro movimento que trás uma perspectiva nova e aparentemente esquisita. Sobre abraçar bobagens e breguices. O impulso que te desnuda e te expõe. Pensando agora, é como uma carta de tarot ambígua, que tu tira e conta os seus desejos mais profundos e também o que você fez de você até aqui.

Por isso, o segundo desejo, diante da possibilidade de poder fazer três, tende a ser mais racional. E por isso, no primeiro, a intuição tende a nos levar a subir em tapetes mágicos ou brincar com eles no meio da sala de luz quente. Viver as fantasias, ou os desejos, ou relaxar com todas as versões de você que te fizeram chegar nesse lugar.

Ainda bem, não é? Que a gente cresce e pode construir essas cabanas fora do quarto e faze-las ocupar a casa toda que no dia 15 você vai pagar o aluguel. Mesmo que seja por algumas noites, amanhã alguém te atravesse batendo em tua porta e seja o dono dos lenços voadores pedindo eles de volta. Todos os dias terão algum tipo de saudade. E quer ouvir um segredo? Não precisa esperar um gênio. Todos os dias a gente acorda esfregando lâmpadas e faz escolhas à campo aberto.

Mas agora que tu reparou e já já vai fazer o primeiro. Vem cá, chuta: Qual é o seu desejo?






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